QUEM SE LEMBRA DESTES ANTIGOS PATINS DE QUATRO RODAS?

🛼 Os antigos patins de quatro rodas — quando aprender significava cair, levantar e voltar a tentar

A imagem mostra duas crianças a andar com os antigos patins de quatro rodas, daqueles que se ajustavam diretamente aos sapatos através de correias e estruturas metálicas. Muito populares nas décadas de 1960 e 1970, estes patins fizeram parte da infância de milhares de crianças antes da chegada dos modelos modernos e, mais tarde, dos patins em linha.

Não eram propriamente confortáveis. O patim encaixava por baixo do sapato e era apertado com correias. Se ficasse demasiado largo, podia sair do pé no pior momento. Se ficasse apertado demais, ao fim de algum tempo começavam a doer os pés. Ainda assim, para quem conseguia ter um par, aquilo representava uma enorme aventura.

Aprender a andar também exigia coragem.

Nos primeiros dias, muitas crianças agarravam-se às paredes, aos portões ou às mãos de um amigo. O corpo inclinava-se para a frente, as pernas fugiam para os lados e qualquer pequena pedra no chão podia acabar numa queda.

Os joelhos pagavam muitas vezes a aprendizagem.

Mas no dia seguinte estavam lá outra vez.

As crianças mais experientes ensinavam as outras. Primeiro era preciso aprender a manter o equilíbrio. Depois vinham os pequenos impulsos. Mais tarde, quando já havia confiança, começavam as corridas e as tentativas de fazer curvas cada vez mais apertadas.

Quem dominava bem os patins conseguia deslizar durante bastante tempo, cruzar os pés, virar rapidamente e até andar para trás.

E isso, naquele tempo, já parecia uma enorme demonstração de habilidade.

Os locais escolhidos para andar eram quase sempre simples: um pátio da escola, um passeio largo, uma rua pouco movimentada ou qualquer superfície relativamente lisa. As crianças aproveitavam os espaços disponíveis e rapidamente transformavam-nos numa pista improvisada.

Havia também o problema do piso.

Os patins gostavam de chão liso.

Em calçada irregular ou em ruas de pedra, a aventura podia tornar-se curta. Bastava uma roda prender numa fissura ou encontrar uma pedra para o corpo continuar em frente e os patins ficarem para trás.

As quedas faziam parte da brincadeira.

Não havia capacetes nem joelheiras na maioria das vezes. Quando alguém caía, levantava-se, sacudia a roupa e verificava se os patins ainda estavam bem presos.

Se não havia sangue, continuava-se.

Também eram objetos feitos para durar.

Os patins passavam frequentemente de irmão para irmão e podiam ser ajustados ao tamanho do pé através da própria estrutura metálica. Um único par podia servir várias crianças durante anos.

E quando as rodas começavam a fazer barulho?

Tentava-se apertar.

Quando uma correia se estragava?

Procurava-se outra.

Como acontecia com muitos brinquedos daquela época, a regra era simples:

se ainda pudesse ser usado, não se deitava fora.

Durante as décadas seguintes, os patins mudaram muito. Surgiram botas próprias, materiais mais leves, travões melhores e, mais tarde, os populares patins em linha.

Mas para quem cresceu com os velhos modelos de quatro rodas, há um som que ficou na memória:

o bater seco das pequenas rodas no chão enquanto se tentava ganhar velocidade.

Hoje, olhar para uma fotografia destas é recordar uma infância feita de equilíbrio, quedas, gargalhadas e muitas tentativas.

Porque aprender a andar de patins naquele tempo tinha uma regra que servia para quase tudo na vida:

caía-se, levantava-se e tentava-se outra vez.